O Ministério da Cultura venezuelano tem uma distribuidora de cinema: a Amazonia Filmes. Faz um belo esforço no sentido de equilibrar a oferta de filmes em cartaz com mais produções latino-americanas, européias e asiáticas; boa parte dos filmes da mostra de cinema latino americano (que rolou durante o mês passado) vinham por ela.
Idéia interessante; tenho a impressão de que já foi cogitada no Brasil, mas desconheço por que não foi adiante. Suponho que ajudaria a eliminar um enorme gargalo no circuito cinematográfico.
No site da distribuidora é possível ver o catálogo. A lista é interessante e bem variada: tem Pelé Eterno, O filho (dos irmãos Dardenne) e o coreano Primavera, Verão, Outono, Inverno… E Primavera; bem como títulos com temática mais politizada, como Machuca, Caché e A estrada para Guantánamo. (Diante desses títulos, soa bem estranha a crítica de um diretor de cinema venezuelano, que diz que são escolhidos apenas filmes de “entretenimento escapista” — mesmo que ele esteja referindo-se aos filmes locais.)
O projeto pinta ser ambicioso. “Se nos próximos anos vence a maioria dos desafios que tem adiante, irá converter-se na ponta de lança para uma distribuidora de filmes hispânicos”, diz o site. E é acompanhado por outros grandes investimentos estatais no cinema. Depois de uma década de 1990 muito fraca em produção cinematográfica (como no Brasil — dá-lhe Consenso de Washington!), a Venezuela tem hoje pelo menos 14 filmes em fase de pós-produção (realizados pela Villa del Cine, produtora ligada ao Ministério da Cultura).